Hoje não é uma festa “bonita”: é uma reviravoltana vida de Jesus. Enquanto todos celebram sua entrada triunfal em Jerusalém, poucos percebem que ali começa o caminho da cruz.
Foi em um dia deste que a jovem Clara de Assis fez algo estranho para o seu tempo: vestida com suas melhores roupas, participou da celebração como qualquer jovem nobre… mas já estava decidida a trair as expectativas da própria família.
No meio da multidão, enquanto todos seguravam ramos, Clara segurava um segredo: naquela mesma noite, abandonaria tudo.
O gesto litúrgico do bispo que lhe entrega o ramo parece quase um sinal profético — como se a Igreja intuísse que aquela jovem não estava ali para assistir, mas para se entregar.
E então vem a ruptura. Na calada da noite, Clara foge pela “porta dos mortos” em Assis, símbolo decisivo: para seguir Cristo, era preciso morrer para o mundo.
Sem aviso, sem permissão, sem garantias. Sua fuga não é romântica; é radical, é loucura. Inspirada pelo estilo novo de Francisco de Assis, ela escolhe a pobreza, o desconhecido e até a desaprovação dos seus.
Enquanto Cristo entra em Jerusalém para ser rejeitado, Clara sai de casa para também ser rejeitada.
O que celebramos no Domingo de Ramos, ela viveu na pele: seguir Jesus não é aplaudir sua entrada, é ter coragem de desaparecer com Ele na noite, quando ninguém mais está olhando.
Não tenha medo de perguntar: “Senhor, o que queres de mim?”