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No dia de São José de Anchieta, vale olhar além do “apóstolo do Brasil” e perceber traços menos esquecidos da sua vida:

ele foi um homem de fragilidade física constante, sofria com dores intensas na coluna, e mesmo assim viveu uma impressionante entrega missionária;

foi também um verdadeiro inculturador, não apenas evangelizando, mas aprendendo profundamente a língua e a alma dos povos indígenas, a ponto de compor a primeira gramática do tupi;

além disso, sua espiritualidade tinha uma dimensão poética e contemplativa muito forte, revelada no famoso poema à Virgem Maria escrito na areia, mostrando que sua missão não era só ação, mas também profunda intimidade com Deus;

por fim, Anchieta viveu uma tensão silenciosa entre o anúncio do Evangelho e os conflitos coloniais, buscando, dentro de seus limites históricos, defender a dignidade dos indígenas, o que revela um missionário menos idealizado e mais humano, que evangeliza carregando as contradições do seu tempo, mas sem perder a radicalidade do amor.