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“Ora et labora” é entendido na maioria das vezes como “reza e trabalha”, mas não são duas coisas separadas. A oração é como o primeiro trabalho: exige esforço, atenção e fidelidade, não é algo superficial. É um trabalho interior que vai moldando a pessoa por dentro.
Depois, o trabalho do dia a dia continua essa oração. Ou seja, trabalhar também vira uma forma de rezar.
São Francisco de Assis compreendia o trabalho como uma graça recebida de Deus e como uma forma concreta de servir à fraternidade e viver a pobreza. Na Regra Bulada, afirma: “Os frades a quem o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhem fiel e devotamente, de modo que, afastando o ócio inimigo da alma, não extingam o espírito da santa oração e devoção, ao qual as outras coisas temporais devem servir” (RB V, 1-2). O trabalho, portanto, não deveria transformar-se em finalidade absoluta nem afastar o frade de Deus, da oração e da vida fraterna. Por isso, Francisco determina que, “como mercê do trabalho recebam para si e seus irmãos o necessário para o corpo, menos dinheiro ou pecúnia, e isso humildemente, como convém a servos de Deus e seguidores da santíssima pobreza” (RB V, 3-4). Ele mesmo testemunha no Testamento: “E eu trabalhava e quero trabalhar”, desejando que os irmãos também se dedicassem ao trabalho, desde que este permanecesse ordenado à vida, à fraternidade, à missão e à confiança em Deus. Assim, na perspectiva franciscana, o trabalho é serviço e participação na construção da vida comum, mas não pode ser instrumento de acumulação, de domínio ou de afastamento daquilo que é essencial: a oração, a fraternidade e o seguimento de Cristo.
No fim, tudo se resume a isso: viver sempre unido a Deus, com amor e perseverança, tanto na oração quanto nas tarefas do dia.

“ORAT ET LABORA”

No coração da vida de São Bento e na vida dos franciscanos, está aquilo que ele chama de Opus Dei, o “trabalho de Deus”, isto é, a Liturgia das Horas e a oração constante. Nesse sentido, a oração não é algo leve no sentido superficial: ela exige disciplina, fidelidade, atenção do coração, combate interior contra distrações e dispersões.

A oração é um “trabalho” no sentido mais profundo da palavra, é algo que molda a pessoa por dentro.
Assim, podemos reler “ora et labora” de forma espiritual dizendo: a oração é o primeiro trabalho do monge. Antes de qualquer atividade externa, existe o esforço de permanecer diante de Deus, de vigiar o coração, de sustentar a escuta. É um trabalho invisível, mas exigente, porque envolve conversão contínua e perseverança.
E o “labora” então não está separado disso, mas prolonga essa mesma atitude: o trabalho manual e cotidiano se torna continuidade da oração. Ou seja, a oração é o trabalho mais profundo, e o trabalho é uma forma concreta de oração.

Tudo gira em torno desse eixo: a vida inteira como esforço amoroso de permanecer em Deus.